Conflitos e resistência no Paraná

quarta-feira, 21 de junho de 2017

REFORMA AGRÁRIA E VIOLÊNCIA NO CAMPO


A concentração fundiária é estruturante do espaço agrário brasileiro. Soma-se a isto o processo sistemático, permanente e intensificado de práticas de uso da violência contra os sujeitos sociais do campo e seu modo de vida. Muitas destas práticas são marcadas por profundos traços de brutalidade contra as pessoas que questionam o uso e a funcionalidade da apropriação privada da terra e toda dimensão de exploração e apropriação de renda e poder estabelecida por esta. Estes elementos reforçam a importância de se refletir sobre a reforma agrária como um projeto para toda a sociedade brasileira contra a lógica concentradora e excludente do agronegócio latifundiário. Nesse sentido, o Laboratório e Grupo de Pesquisa de Geografia das Lutas no Campo e na Cidade (GEOLUTAS), conjuntamente com o Observatório da Questão Agrária no Paraná, convidam a todas e todos para participarem do debate “Reforma Agrária e Violência no Campo” que terá como interlocutor Elemar do Nascimento Cezimbra, membro da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

Data: 03 de julho de 2017
Horário: 19h20m
Local: Tribunal do Júri (UNIOESTE Marechal Cândido Rondon)

Obs.: Haverá certificação aos participantes.



quarta-feira, 17 de maio de 2017

SINGA 2017 - INSCRIÇÕES COM DESCONTO E DE RESUMOS PRORROGADAS ATÉ 31/05!

O SINGA 2017 vai se aproximando e gostaríamos de compartilhar três novas informações com vocês:
1. As inscrições de resumos foram prorrogadas até o dia 31 de maio (Os valores também permanecem os mesmos até o dia 31/05).
2. Foi iniciada uma campanha de financiamento coletivo para quem puder apoiar a construção do SINGA. Os cortes nos repasses nas universidades e nas agências de fomento nos colocam frente ao desafio de termos que nos financiar cada vez mais com recursos próprios. Ver campanha no site do evento: www.singa2017.com.br
3. Ofertaremos 230 vagas de alojamento com prioridade para os inscritos e as inscritas nas categorias “Estudantes de Graduação” e “Movimentos Sociais e Representantes Comunitários”. As inscrições para o alojamento acontecerão entre os dias 01 a 30 de agosto. Depois, o pagamento da taxa deverá ser realizado até 30 de setembro.

A Comissão Organizadora do SINGA 2017 agradece!


Agroquímicos y agricultura campesina em Paraguay

Viernes, 12 de maio, 19h, em UNILA JU (C-203)

Invitamos a las comunidades universitarias, productores campesinos, periodistas, activistas de derechos humanos de la Triple Frontera para este evento en el que serán expuestas revelaciones sobre el mal uso de los agroquímicos en Paraguay y en la región fronteriza, la contaminación de los suelos, del agua y de los alimentos y sus respectivos daños a la salud de las poblaciones, agregado a una discusión sobre la producción campesina sin agrotóxicos y con organización de base comunitaria en el departamento del Alto Paraná, en Paraguay. Esperamos la presencia de estudiantes de diferentes países y instituciones, para apoyar a las discusiones, participar y llevar esas informaciones para actividades prácticas. Serán abordados especialmente temas de desarrollo rural y seguridad alimentaria, medio ambiente, salud colectiva, alimentación saludable, agricultura campesina, comercio sustentable y derechos humanos.

Expositores/ponentes:

Mariana Ladaga
Periodista, corresponsal del diario ABC Color en Ciudad del Este. Ha realizado varios cursos de capacitación, nacionales e internacionales, sobre coberturas en zonas de riesgo, seguridad personal, periodismo de investigación y otros. Autora de investigación periodística sobre el mal uso de los agroquímicos en Paraguay, ocasionando daños a la salud de la población y al medio ambiente, trabajo premiado y apoyado por el Centro Internacional para Periodistas (ICFJ) y la red Connectas.

Teodoro Galeano
Productor campesino de la comunidad El Triunfo, del distrito de Minga Guazú. Miembro de la Central de Productores Hortigranjeros del Alto Paraná, formada por más de 1500 productores de 18 distritos que hace 20 años lanza la perspectiva de organización comunitaria frente a la expansión del agronegocio, y realizando semanalmente la Feria de Productores de Ciudad del Este.

Organización
Observatorio de la Cuestión Agraria en Paraná
Proyectos de extensión de UNILA
Núcleo de Apoyo a los Pueblos de la Tierra
PANCs en la Escuela: educación ambiental y soberanía alimentaria con plantas alimenticias no convencionales en Foz do Iguaçu
Y estudiantes y profesores comprometidos con las causas de la agroecología y la lucha por la tierra.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

LAUDOS ANTROPOLÓGICOS E CONFLITOS TERRITORIAIS NA COMUNIDADE QUILOMBOLA MANOEL CIRIACO DOS SANTOS – GUAÍRA PARANÁ


São poucos os momentos em que somos tomados simultaneamente por sentimentos muito diferentes e contraditórios. Ontem vivi esse turbilhão de sentimentos! Foi uma alegria imensa e um privilégio passar a tarde tomando café e conversando com pessoas que admiro demais e que são exemplos de luta e resistência. O café foi no Quilombo Manoel Ciríaco dos Santos e a companhia não podia ser melhor, estivemos juntos pesquisadores, lideranças da comunidade quilombola e lideranças indígenas para levar nosso apoio e solidariedade à luta quilombola pelo reconhecimento e delimitação de seu território.

A comunidade quilombola vive mais um capítulo de sua história, aguarda o resultado do período de contestação do laudo de reconhecimento da terra quilombola, protocolado no final de 2016, uma das últimas etapas do processo de demarcação de suas terras. Diferente de outros períodos mais conturbados, eles estão tranquilos e serenos aguardando esperançosos a conclusão desse longo e doloroso processo. O processo de reconhecimento do quilombo envolveu conflitos terríveis, ameaças de morte e até mesmo o falecimento de uma liderança quilombola que adoeceu durante esse período. Em todos os encontros que tivemos com a comunidade a memória e a tristeza desses momentos são revividas e a cada movimento de rememoração aprendemos mais sobre a história da comunidade quilombola. Nessa tarde aprendi muito sobre essa história, mas aprendi também, como pretendemos abordar, sobre antropólogos e a relação da antropologia com as comunidades.

Para quem não conhece a comunidade quilombola Manoel Ciriaco dos Santos, o processo de reconhecimento e delimitação de seu território teve início em 2008 através de um convênio firmado entre a Unioeste, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, e o INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, para realização dos relatórios necessários ao trâmite do processo. Foi também nesse período que se iniciou uma relação desastrosa e conturbada entre professores ligados ao curso de Ciências Sociais da universidade com a comunidade quilombola. Isso ocorreu porque o trabalho de campo realizado deflagrou um intenso conflito social na região do quilombo que provocou uma série de incidentes envolvendo a comunidade quilombola e os produtores rurais de Maracajú dos Gaúchos, interior do município de Guaíra. Ocorreram eventos e situações como cárcere privado de lideranças da comunidade e funcionários do INCRA, ameaças de morte, bloqueio de carros oficiais, danos ao patrimônio público, imposição de isolamento social contra a comunidade quilombola, todos devidamente registrados na polícia, no ministério público e na memória dos homens, mulheres e crianças dessa comunidade. CONTINUAR LENDO


Jacqueline Parmigiani
Antropóloga
jacqueline.par@hotmail.com



 Publicado originalmente em: Boletim Dataluta edição de abril de 2017 (http://www2.fct.unesp.br/nera/boletimdataluta/boletim_dataluta_4_2017.pdf)